
Copywriting não é escrever bonito. É escrever para que o leitor faça uma ação concreta: clicar, subscrever, comprar. Muitas vezes, o texto que mais converte é simples, direto e até pouco elegante.
1. AIDA — Atenção, Interesse, Desejo, Ação
A fórmula clássica, ideal para anúncios curtos. Exemplo: «Ainda a fazer contas à mão? Uma folha de cálculo bem montada poupa-lhe 5 horas por semana. Descarregue o modelo gratuito e experimente hoje.»
2. PAS — Problema, Agravamento, Solução
Perfeita para páginas de vendas. «As vendas estão a cair? Cada semana sem ajustar o funil é dinheiro que fica em cima da mesa — e que o concorrente agradece. A nossa consultoria identifica os pontos de fuga em 14 dias.»
3. StoryBrand
O cliente é o herói; a sua marca é o guia. Um herói com um problema encontra um guia com empatia e autoridade, que lhe dá um plano e o chama à ação, mostrando o sucesso que pode alcançar e o fracasso que evita.
4. Antes — Ponte — Depois
Mostre o «antes» (a dor), a «ponte» (o método) e o «depois» (a transformação). Simples e muito eficaz em anúncios de formação.
5. Os 4 U
Útil, Urgente, Único e Ultraespecífico. Use como lista de verificação para títulos: se cumprir três dos quatro, está acima da média.
6. QUEST
Qualificar, Entender, Educar, Estimular e Transformar. Funciona bem em e-mails longos e cartas de vendas.
7. Título + Prova + Oferta
A fórmula mais rápida de testar: um título forte, uma prova (testemunho, número, captura de ecrã) e a oferta clara. Se não funcionar assim, dificilmente funcionará numa versão complexa.
Escrever para o leitor português
- Use «si» e «você» com moderação; em muitos contextos, frases impessoais soam mais naturais;
- Evite brasileirismos («a gente», «cadastro», «celular»);
- Prefira o tom direto e sóbrio: exageros e promessas grandiosas geram desconfiança.
Promessas e lei
A publicidade enganosa é proibida pelo regime das práticas comerciais desleais (Decreto-Lei n.º 57/2008). Não prometa ganhos garantidos, não invente escassez e não use testemunhos falsos.
Erros clássicos
- Falar de características em vez de benefícios;
- Jargão técnico para um público leigo;
- Títulos genéricos («Transforme a sua vida»);
- Apelos à ação fracos («Saiba mais»);
- Textos sem prova.
Exemplo completo: do título ao botão
Imagine um curso de Excel para pequenos negócios. Aplicando PAS numa página curta:
Título: «Feche as contas do mês em 30 minutos — mesmo que nunca tenha usado fórmulas.»
Problema: «Todos os meses perde uma tarde a copiar valores de faturas para uma folha que nunca bate certo.»
Agravamento: «Cada erro é IVA mal calculado, um prazo das Finanças em risco e menos tempo para vender.»
Solução: «Em 6 aulas curtas monta um modelo que soma, separa o IVA e mostra a margem real de cada produto.»
Prova: «Mais de 300 pequenos negócios já usam o modelo.»
Botão: «Quero o meu modelo pronto» — IVA incluído · 14 dias de livre resolução.
Como testar o seu texto
- Leia em voz alta: se tropeçar, o leitor também tropeça;
- Corte 20%: quase todos os primeiros rascunhos têm palavras a mais;
- Troque cada característica por um benefício («12 aulas» → «aprende em duas semanas»);
- Teste dois títulos em anúncios com o mesmo orçamento durante 3 a 5 dias e fique com o vencedor;
- Peça a alguém do público-alvo que lhe explique, por palavras suas, o que está a vender.
Perguntas frequentes
Textos longos ou curtos? Depende do preço e da consciência do público. Produtos baratos e conhecidos vendem com pouco texto; ofertas caras ou novas precisam de mais explicação e prova.
Posso usar inteligência artificial? Pode usá-la para gerar variações e ideias, mas a revisão humana é indispensável — sobretudo para garantir português de Portugal e evitar promessas que não pode cumprir.